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sexta-feira, 17 de julho de 2009

A língua de Eulália - Marcos Bagno


Algumas leituras são bem marcantes. Lembro-me que quando estava na faculdade de letras (que não cheguei a concluir) a disciplina de lingüística me chamou bastante atenção, principalmente quando questionava o fato de se considerar a norma culta (ou gramática normativa) como sendo “certa” enquanto as demais variações lingüísticas eram consideradas “erradas”.


Aí entra o poder de uma leitura. Mais do que os livros técnicos de lingüística o que mais me marcou nesse período e por conseqüência contribuiu para minha postura atual em relação a variação linguística foi a leitura do livro “A língua de Eulália: uma novela sociolingística” de Marcos Bagno.


No livro 3 estudantes universitárias visitam a tia de uma delas (professora de português e na verdade uma referência ao autor do livro) e conhecem uma empregada doméstica (que a professora considera mais como amiga) de nome Eulália e que fala um português diferente das meninas que o consideram como sendo errado.


Marcos Bagno mostra (através da personagem da professora) que não há certo e errado quando se trata de uma língua, que não é algo estático, mas está em constante evolução e o que hoje é considerado norma culta é diferente desse mesmo padrão em anos passados. O texto, muito agradável combate a discriminação àqueles que não seguem a gramática normativa e nos levam a refletir sobre outros tipos de preconceitos (já que o desconhecimento da norma culta costuma estar associado a questões econômicas e sócias).


Uma leitura obrigatória para quem trabalha com a área de educação e também para quem gostaria de encarar as diferenças lingüísticas no português sob um novo enfoque. É muito improvável ficar indiferente após a leitura desse livro.


Autor: Ibnéias Costa


quarta-feira, 8 de julho de 2009

A religião mais negra do Brasil - Marco D. de Oliveira


SUMÁRIO

1.A ORIGEM DO PENTECOSTALISMO NO BRASIL

2.O PENTECOSTALISMO COMO OPÇÃO PARA OS EXCLUÍDOS

3.AS BARREIRAS DAS IGREJAS HISTÓRICAS

4.OS NEGROS E A IGREJA PENTECOSTAL

5.FUNDAMENTALISMO, PENTECOSTALISMO E OS NEGROS NO BRASIL

6.O LADO ESCURO DA UNIÃO: NEGROS E PENTECOSTAIS

7.PENTECOSTAIS: MAIORIA NEGRA?

8.UMA CONSTATACÃO QUE EXIGE ACÃO URGENTE

CONCLUSÃO


Em um país cuja população foi formada por diferentes “raças”, mas com histórico de discriminação principalmente contra os negros, é sempre interessante ler livros que tenham os negros como protagonistas.


Por terem participado da formação da população brasileira os negros evidentemente contribuíram também na religião, sendo destacadas as chamadas religiões afro-brasileiras. O que talvez as pessoas não saibam é que elas não apresentam a maior população de negros em seu conjunto.


Os evangélicos e mais especificamente os pentecostais detém em números absolutos o maior contingente de negros no Brasil (mais de 8 milhões). É isso que nos explica Marco Davi de Oliveira, bacharel em teologia e militante do movimento negro em seu interessante livro “A religião mais negra do Brasil: por que mais de oito milhões de negros são pentecostais”.


Para quem tem simpatia ou militância na causa negra, gosta de estudar religião ou pretende se aprofundar na questão do pentecostalismo no Brasil essa é uma leitura obrigatória. A obra foi lançada pela editora Mundo Cristão e expõe com base acadêmica (mas sem um linguajar rebuscado) desde as causas dessa união (pentecostais e negros), as implicações da mesma e reflexões sérias sobre o papel do negro na igreja e a posição da igreja em relação ao negro. Veja o sumário acima para ter uma noção melhor dos temas tratados.

Autor : Ibnéias Costa